Google planeja Internet sem fio em todo o planeta

Empresa prevê investimentos de até US$ 3 bilhões para ampliar seu domínio no mercado

Várias marcas tiveram seus nomes colocados como sinônimo de tecnologia ao longo dos anos. Mas foram substituídas por outras assim que novas invenções surgiram e tornaram o que era inovador obsoleto. Google é hoje o nome mais influente da rede mundial de computadores. E a empresa está disposta a gastar uma quantia que pode variar de US$ 1 a 3 bilhões para ampliar o seu poderio.

A companhia norte-americana tem estendido seus tentáculos por quase todas as nações da terra desde sua criação e agora quer ampliar seus domínios usando o espaço como plataforma. Em um plano tratado como ultrassecreto até pouco tempo e agora revelado pelo diário norte-americano Wall Street Journal, Google pretende lançar centenas de satélites capazes de formar uma rede de acesso à Internet sem fio (Wi-Fi) capaz de atender pessoas em todos os recantos do planeta.

Projeto multiplicaria clientes da companhia e geraria informações de valor inestimável

Criado em 1996, o Google é o maior buscador da Internet. Ele é capaz de pesquisar em um curto espaço de tempo bilhões de páginas disponíveis na rede mundial de computadores e oferecer aos usuários os resultados mais apropriados, na grande maioria das vezes, para aquela consulta.

A princípio, nada é cobrado por isso. Porém, todas as informações dessas milhares de pesquisas feitas a cada segundo são guardadas, assim como o perfil dos usuários que realizam as consultas. Esses dados são valiosos para empresas que querem direcionar sua publicidade de forma mais efetiva buscando os clientes adequados para seus produtos. Elas pagam ao Google para publicar anúncios em suas páginas gerando uma receita considerável para a empresa que detém o buscador.

Ao tentar criar uma rede de Wi-Fi global, o Google, na realidade, quer multiplicar sua capacidade de captação de clientes e, naturalmente, de conseguir informações essenciais de como essas pessoas usam a Internet, quais sites visitam, quais produtos compram, com quais pessoas interagem. Enfim, isso aumentaria a já valiosa base de dados da companhia norte-americana tornando-a ainda mais rentável.

Até porque, o Google, como controlador da rede de satélites, teria as informações de forma exclusiva sem precisar dividi-las com nenhum concorrente. E com uma vantagem extra. Não precisaria se submeter às legislações de cada um dos países onde os usuários estão situados já que os satélites estão no espaço e, naturalmente, fora da jurisdição dessas nações. Isso significaria para o Google não apenas o aumento da renda, mas também de poder.

Início do projeto prevê duas etapas para o lançamento

A grande rede de Internet sem fio do Google prevê o lançamento dos satélites em duas etapas. Na primeira, seriam 180 deles enviados para o espaço. A ideia é mandar unidades pequenas e leves, com menos de 100 kg. Elas ficariam em órbita mais baixa que os satélites comuns. Se funcionarem bem, na segunda etapa, mais 180 unidades serão lançadas. O orçamento do gasto necessário para a primeira leva de satélites é de aproximadamente US$ 600 milhões.

Mas eles não serão o único meio de fazer funcionar o Google Wi-Fi global. A gigante da tecnologia também tem planos para enviar balões e aviões movidos a energia solar para fornecer os serviços de Internet sem fio para regiões remotas. Ainda que sejam menos eficazes que os satélites, eles são opções de menor custo.

Em abril, o Google já havia tomado um passo nessa direção ao comprar a Titan Aerospace, que está constuindo drones movidos a energia solar que visam fornecer serviço de Internet em banda larga para locais de difícil acesso. Em alguns projetos, o Facebook tem sido parceiro do Google.

Equipe de desenvolvimento tem cerca de 20 pessoas

O líder do até então secreto projeto do Google é Greg Wyler, que fundou a empresa O3B, especializada em satélites. Google também contratou engenheiros de outra empresa da área, a Space Systems / Loral LLC para trabalhar na rede Wi-Fi. No total, cerca de duas dezenas de pessoas se dedicam a tentar colocar essa tecnologia para funcionar. Os trabalhadores envolvidos no projeto, no entanto, não são autorizados a falar sobre o desenvolvimento da pesquisa.

Especialista acredita que custo será maior que o esperado

A tentativa do Google não é a primeira de construir uma rede de satélites para fornecer conexão de Internet. Na década de 90, segundo informou o próprio Wall Street Journal em sua reportagem, a Teledesic LLC tentou construir, com apoio da Microsoft, algo parecido. O projeto, que chegou a considerar o uso de drones, consumiu US$ 9 bilhões e foi enterrado em 2002 devido aos altos custos e também por causa das dificuldades técnicas encontradas.

Roger Rusch, que comanda a TelAstra Inc, uma empresa de consultoria do setor de satélites, não acredita na estimativa de custos apresentadas pelo Google. De acordo com suas expectativas, o valor do projeto deve superar a casa de US$ 20 bilhões, sem falar que a companhia terá que superar alguns obstáculos regulatórios e coordenar sua atuação com outros operadores de satélite para sua frota não interferir com os demais.